Em 10 meses, encher o tanque fica 35,5% mais caro no RN

Em Natal, gasolina subiu até R$ 0,32 acima do preço médio do dia 9.

Bruno Vital

Repórter

Com o litro da gasolina comum beirando os R$ 7 no Rio Grande do Norte, abastecer hoje nos postos potiguares ficou 35,5% mais caro em comparação com janeiro deste ano, considerando os valores médios divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No primeiro mês deste ano, para encher um tanque de 55 litros, o motorista desembolsava R$ 270,82, com o litro custando em média R$ 4,924. Atualmente, com o preço médio por litro em R$ 6,675, a mesma quantidade do combustível está custando R$ 367,12. No entanto, na capital, nessa quarta-feira (13), a reportagem da TRIBUNA DO NORTE já encontrou o litro da gasolina sendo vendido por até R$ 6,999 na Rota do Sol e em postos da zona Sul de Natal. O valor já é R$ 0,324 mais caro do que o preço médio do combustível levantado pela ANP entre 3 e 9 de outubro.

Também na Rota do Sol, a gasolina aditivada já está custando R$ 7,149 o litro. Na Avenida Prudente de Morais, nas proximidades da Arena das Dunas, a gasolina comum e a aditivada são vendidas pelo mesmo preço: R$ 6,990. O litro mais barato encontrado pela reportagem da TN foi na Rua São João de Deus, no bairro das Rocas, zona Leste de Natal, onde o combustível ainda é vendido por R$ 6,47. Na Zona Norte da capital também foram identificados preços mais em conta para a gasolina comum: R$ 6,640 na Avenida João Medeiros Filho e R$ 6,63 no Carrefour Norte.

O aumento é reflexo de um novo reajuste de 7,2% nos produtos derivados do petróleo vendidos às refinarias pela Petrobras, que entrou em vigor no último sábado (9). Em nota enviada à imprensa, a estatal destacou que é o primeiro aumento em menos de dois meses. De acordo com a Petrobras, o litro da gasolina vendida por suas refinarias passou de R$ 2,78 para R$ 2,98, um reajuste médio de R$ 0,20 por litro.

Para o economista Janduir Nóbrega, a tendência é de que novos reajustes sejam registrados até o fim do ano devido a política de preços da empresa, que é alinhada às variações do mercado internacional.

A projeção é feita com base nas flutuações do câmbio e no preço do barril de petróleo, que está cotado em US$ 83,58. Em um mês, o preço do barril, que é um dos principais termômetros do preço da gasolina, variou 13,6%, de acordo com operadores de mercado. “Há uma tendência muito forte [do barril] chegar a US$ 90 daqui para o final do ano. Não tem nenhuma perspectiva de que o mercado internacional reverta isso. Pelo menos no curtíssimo prazo.
Deve acontecer pelo menos mais uns três aumentos daqui para o final do ano, isso é muito fácil de acontecer dada a balada que está a situação internacional do mercado como um todo e as variáveis que ainda vão interferir a partir da inserção do inverno europeu, asiático e americano”
, explica o economista.

Rotina alterada

A escalada nos preços vem alterando a rotina dos motoristas potiguares, que precisam se adaptar aos constantes aumentos. É o caso do trabalhador autônomo Arlindo Bezerra, que passou a utilizar menos o carro. “Agora a gente precisa se programar, sair uma vez na semana para resolver algumas coisas tudo de uma vez. Recentemente estou abastecendo menos e com menos frequência, antigamente não era assim. Toda semana é um valor diferente da gasolina, a gente já chega esperando a surpresa na bomba. Hoje em dia você tem que escolher entre comer e abastecer porque no supermercado também tá difícil a situação”, afirma.

Segundo as planilhas da ANP, analisadas pela TN, o Rio Grande do Norte teve um reajuste médio mensal de 3,86% em 2021 (ver quadro), e caso o ritmo de reajustes na bomba se mantenha, o estado poderá encerrar o ano com o preço médio do litro da gasolina comum custando R$ 7,19. De acordo com Janduir Nóbrega, levando em consideração os fatores externos de mercado, o valor poderá ser ainda maior.

“Se a gente fizer uma análise, do ponto de vista do que é o mercado internacional e o mercado interno, continuando na balada para equiparar o preço interno do Brasil ao preço internacional, a gente vai para uma gasolina acima de R$ 10, sem fazer muito esforço. Um litro de gasolina na Europa está custando perto de 2 euros, o que dá R$ 12 aqui. Então você já percebe a defasagem de preço que existe, mesmo sendo uma política internacional. Agora cravar que vai ser R$ 10, R$ 9 ou R$ 8 não dá para dizer, mas o mundo todo está nessa preocupação com essa matriz energética”, destaca.

O economista acrescenta ainda que o aumento do etanol anidro teve influência na alta da gasolina. Isso porque a gasolina comum que sai da bomba é composta por 73% de gasolina pura e 27% de etanol anidro. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada revelam que o preço do litro do etanol anidro subiu 48% de janeiro a setembro, passando de R$ 2,74 para R$ 4,07.

“É um problema de macroeconomia”

De acordo com o secretário adjunto da Secretaria de Estado de Tributação do Rio Grande do Norte (SET), Álvaro Luiz Bezerra, possíveis reduções ou estabilizações do preço da gasolina no Estado dependem de revisões da política de preços da Petrobras.

“É um problema de macroeconomia e a gente torce muito para que o governo federal repensasse essa política de preços da Petrobras ou pensasse em uma alternativa, alguma coisa que pudesse amortecer essa valorização do dólar. Infelizmente, o que a gente vislumbra é que não tem muita perspectiva do dólar baixar a curto prazo, a gente vive uma crise política instalada no país e isso ajuda a dar mais insegurança e onerar o dólar, além de pressões internacionais acabam atingindo a valorização do real frente ao dólar”, comenta.

Sobre a política de preços, a Petrobras afirma que segue uma tendência do mercado global dentro de uma lógica que acompanha o comércio de outras commodities do mercado brasileiro como produtos agrícolas, minérios e metais, que têm seus valores associados à variação das cotações internacionais e taxas cambiais diferentes. Ainda de acordo com o posicionamento da estatal, a medida é considerada fundamental para que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimentos.

“A Petrobras esclarece que não antecipa suas decisões de preços, e reitera que os reajustes podem ser realizados a qualquer tempo, sem periodicidade definida, de acordo com as condições de mercado e da análise do ambiente externo. Isso possibilita a companhia competir de maneira mais eficiente e flexível e evita o repasse imediato da volatilidade externa, causada por eventos conjunturais, para os preços internos. Nossos preços seguem buscando o equilíbrio com o mercado internacional”, disse nota da Petrobras enviada à TRIBUNA em setembro passado.

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