CPI investiga governadores

No Rio Grande do Norte, entretanto, a Assembleia Legislativa está cumprindo o papel que os senadores se omitiram.

A CPI da Covid no Senado, que está atrapalhada em seu relatório final, esqueceu de cumprir a principal meta: ouvir governadores e prefeitos que meteram a mão no dinheiro da pandemia destinado a salvar vidas. No Rio Grande do Norte, entretanto, a Assembleia Legislativa está cumprindo o papel que os senadores se omitiram. Com uma CPI, mergulha na investigação da roubalheira na compra de respiradores testados em porcos pelo Consórcio dos Governadores do Nordeste.

Na reunião passada, os deputados potiguares aprovaram a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do secretário executivo do Consórcio, Carlos Eduardo Gabas. “A base de informação para esse pedido foi disponibilizada para os deputados, mas ela não pode ser tornada pública, porque tem como base documentos sigilosos da CPI”, explicou o deputado cearense Kelps Lima (Solidariedade).

O período dos dados que serão solicitados também não foi exposto pela CPI, que vai oficiar as instituições devidas para que as informações sejam repassadas à comissão. Carlos Gabas foi convocado à CPI para prestar depoimento sobre as irregularidades nos processos de aquisições de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia da Covid 19. A Comissão exige explicações do Consórcio sobre a compra de respiradores a empresa Hempcare, que não tinha experiência no ramo e não entregou os equipamentos prometidos.

Não entregou, mas também não devolveu os R$ 48 milhões do Consórcio Nordeste, valor fatiado pelos nove governadores com culpa no cartório. Em depoimento à CPI, Gabas permaneceu em silêncio, sendo dispensado pela comissão em seguida. Em entrevista aos jornalistas do Rio Grande do Norte, o secretário afirmou que ficou em silêncio por não ter aceito ter sido “convocado para depor como investigado”.

Isso não impediu que a CPI de Natal avançasse. Os deputados ouviram mais dois depoimentos sobre contratos investigados pela CPI. O ex-subcoordenador de Serviços Gerais da Sesap, Carlos Thomas Araújo da Silva, tratou do processo de busca para a contratação de empresa do Piauí para realização de inquérito sorológico. Além dele, que falou como testemunha, a CPI ouviu Ângelo Giuseppe Roncalli da Costa Oliveira, servidor da UFRN, que participou da discussão sobre a necessidade do inquérito.

Ambos responderam a questionamentos dos parlamentares, principalmente, sobre os motivos pelos quais o inquérito precisou ser realizado, sobre como foi a escolha da empresa, os motivos pelos quais as empresas de pesquisa do Rio Grande do Norte não foram contatadas e se a não realização de parte dos testes necessários prejudicou a pesquisa.

Salários de marajá – O Consórcio dos Governadores do Nordeste nada em dinheiro. Paga salários astronômicos aos seus funcionários. Gabas, o coordenador, investigado pela CPI, valor ganha R$ 19 mil. Além dele, nove analistas técnico embolsam salários que variam de R$ 17.500 a R$ 15.500. O objetivo principal do Consórcio Nordeste é fazer compras em conjunto para os nove Estados da região, como ocorreu com os respiradores, que terminou sem chegar e causando um prejuízo de R$ 48,7 milhões aos cofres públicos dos entes federados. Só ao Estado do Rio Grande do Norte foram R$ 4,9 milhões de prejuízos.

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